sexta-feira, 29 de julho de 2016

Na estrada

 Imagem de road, travel, and tree

Detesto ter que admitir isso, mas tenho um coração bem mais mole do que eu gostaria. Sou o tipo de pessoa que se emociona com facilidade ao ver certas cenas de novela ou mesmo ao ler certos trechos de livro. Sempre fui romântica e, apesar dos clichês, de achar grande parte das pessoas dramáticas e de revirar os olhos na frente dos outros, nunca deixei de ser.
Sempre sonhei com o dia em que eu me casaria com o homem perfeito, teria um apartamento no alto de um prédio e poderia compartilhar com ele as felicidades próprias do amor e dos futuros filhos. Seria bem sucedida, uma mulher elegante, magra e com um marido a la Reinaldo Gianechini do meu lado, me levando para passeios na Europa, me enchendo de presentes e me dizendo que eu era a mulher da sua vida.
Bem, isso faz parte de uma idealização que a gente acaba construindo inconscientemente quando passa a infância assistindo filmes de princesas e novelas brasileiras. Há sempre uma luz no fim do túnel, há sempre um final feliz pra ser alcançado.
Será?
Apesar dos meus poucos 21 anos já vivi tanta coisa que, agora, acho difícil acreditar. Vi meu coração sendo arrancado de mim brutalmente quando descobri que minha avó materna, com quem convivo desde que me conheço por gente, tinha Alzheimer. Senti o peso da traição quando meu avô saiu de casa. Me recuperei um pouco, mas logo que eu achei que estava bem, ao descobrir numa amizade o amor, tive que me mudar. Desde então nos encontramos a cada dois ou três meses. Enfrentei uma depressão profunda ao sair de casa para seguir meu sonho de ser jornalista. Convivi com uma família que, apesar do mesmo sangue, não me pertencia.
E agora, a poucos meses de me formar, sinto um aperto no peito e um nó na garganta. Ao ver tudo o que eu consegui enfrentar meus próprios demônios, mesmo sabendo que eles não deixarão de existir - mas terão menos força. Ao mesmo tempo me sentir amedrontada com o futuro incerto que vem pela frente. Eu já não idealizo a vida como antes, nem sou inocente a ponto de acreditar em finais felizes.
Na verdade eu tenho acreditado cada vez mais que a felicidade não é um momento permanente na nossa vida, mas um estado de espírito. E é claro que ele vai depender de nossas escolhas, por menores e mais insignificantes que elas possam parecer.
Eu não sei quantas tempestades vão surgir na minha frente, quantas vezes eu vou ter vontade de pular do barco ou mesmo que rumo essa viagem vai tomar. Isso porque a vida não é um caminho único e certeiro, mas um caminho permeado por outros caminhos e milhares de possibilidades.
Cabe a nós fazer as escolhas certas para nós mesmos. E só assim, quem sabe, experimentar um pouco dessa tão sonhada felicidade, transformando, assim, o final feliz num verdadeiro recomeço.