domingo, 16 de agosto de 2015

Autossabotagem pra que?

Beatsie Boys I via Tumblr

Muito me impressiona a capacidade que nós temos de nos sabotarmos. Acho que a imagem do Coiote que tenta a todo custo matar o Papa-Léguas e sempre acaba se dando mal seria um exemplo disso, mesmo que aparentemente cômico. Porque, por mais que a intenção fosse de atingir o outro, quem saía machucado no final da história era o próprio Coiote. E quantas vezes também fazemos isso?
Sabotagem significa danificação propositada, ou seja, uma tentativa de fazer com que algo dê errado. Quando se fala em autossabotagem pode surgir a pergunta: "Porque alguém em sã consciência iria fazer isso consigo mesmo? Masoquismo ou burrice mesmo?". Nem sempre. Muitas vezes somos tomados por sentimentos e ações ruins que, na maioria das vezes, atingem negativamente muito mais a nós mesmos que aos demais ao nosso redor.
Em atitudes pequenas é possível praticar essa autossabotagem, acha que não? Bem, quando você está de dieta, focado em perder peso e obtendo bons resultados no conjunto alimentação + atividade física, o que você faz? Quando a meta já está próxima ou quando o resultado tarda a chegar ou mesmo quando você já alcançou a meta estabelecida, você mete o pé na jaca com gosto, enfia a cara no doce/fritura/salgadinho/tudo o que há de bom, larga a academia pra retroceder  dez passos (no mínimo) no tabuleiro do emagrecimento.
E o pior de tudo é que a gente faz isso sem se dar conta. Sabe quando você dispensa uma saída com a galera por pura preguiça? Ou quando você compra uma coisa sem necessidade e sem dinheiro pra depois ficar no vermelho? Ou quando você volta naquele salão que tem um péssimo cabeleireiro, que inclusive já detonou seu cabelo, e mesmo assim você continua frequentando? Ou até mesmo quando você negou um sentimento latente dentro de si por vergonha ou medo da reação dos outros? Pois é, meu bem. Tudo isso é uma forma de autossabotagem porque, no fim das contas, o prejuízo do mal feito é todo seu!
É claro também que não dá pra ser santo e não cometer atos falhos de vez em quando. O que seria da vida se não fossem os prazeres propiciados pela comida, por exemplo?! Além disso, ninguém consegue viver sem errar. Até mesmo quando você tá cortando uma cebola você corre o risco de cortar a pontinha do dedo, imagina o resto. Mas a diferença entre autossabotagem e descuido se dá exatamente na ausência de consciência das decisões que estão sendo tomadas. O risco de dar errado não vai deixar de existir só porque você fez tudo certinho. Agora, se você tem noção do que está fazendo a coisa muda de tom.
O equilíbrio se dá quando aprendemos, enfim, a dosar as medidas. Não querer segurar o mundo com as duas mãos, nem deixar que o acaso se comprometa a cumprir um papel que é seu. A chave desse equilíbrio é conquistada no dia a dia, a partir de esforços internos de nós mesmos.
E, mesmo que a luta para alcançá-lo não seja lá muito fácil, tenho certeza que a recompensa, no final, há de ser, no mínimo, gratificante.