domingo, 2 de maio de 2010

Presenciar a dor é algo imprescritível quando ela vive com você. É como sair com uma faca perfurando todas a suas entranhas sem que você sequer possa se defender. É querer se refugiar longe das lágrimas, enquanto o pranto e os soluços se estampam em sua própria face. É sentir o coração pesado e apertado, a cada pensamento que lhe remeta a esse maldito sentimento.

Às vezes, tento ver a dor como algo que me faz crescer, mas ainda assim nos deixa marcas e cicatrizes profundas.
Enquanto vejo jovens sofrendo por amores impossíveis e não correspondidos, me lembro do tempo, quando eu um pouco mais nova, chorava por um garoto. Na verdade, sempre fui muito realista e esse meu momento de imbecilidade teve uma duração mais curta do que eu jamais pensei. Aprendi a amar calada, um amor velado e cuidadoso. nunca me enganando com as impossibilidades existente no meu coraçãozinho jovem; e aprendendo a ver a dor de ser trocada como algo normal.
Sei que não depende somente da nossa própria vontade tudo o que desejamos, pois se fosse assim o mundo não teria tantos conflitos e nele haveria muito mais amor. Às vezes aquilo que maus amamos é o que é mais distante e impossível. Mas isso não nos ensina a deixar de amar ou amar com menos intensidade, não!
O amor deve crescer  a partir do sofrimento, pois a partir do sofrimento surgirão novas forças que vão ensinar a sermos pacientes e benevolentes com o próximo.
A dor que eu sinto agora, não é a dor dos apaixonados. Ela é bem mais profunda e tem bem mais motivos de ser dolorida e insensata. Minha dor é a dor que, disfarçada, carrega um pedaço do meu coração a cada palavra esquecida, a cada gesto impensado, a cada pergunta óbvia. Minha dor vem, afinal, da doença.
Mas apesar do meu constante pesar, tento passar para os outros a alegria de viver, que às vezes falta em minh'alma, e o amor que, apesar de solitário e não recompensado, é sempre o melhor remédio para qualquer tipo de dor, curando até mesmo um coração sangrado e uma alma dilacerada como a minha.


Is.